Essa semana disse para o meu terapeuta que cansei. Gente do céu, como existem desencontros no mundo! Tô aí, investindo, saindo, conhecendo rapazes, mas pessoal, tá fogo. Um amigo querido e de longa data me diz que eu não posso desistir, que com a quantidade vem a qualidade. Tô começando a duvidar dessa teoria, porque por enquanto tô acumulado pontos só na quantidade. Não acredita? Então escuta essas aqui e depois me diz se eu tô mentindo:
J.R. era um advogado com um sorriso bonito, idade boa e que sabia escrever direitinho. Nos encontramos num domingo à tarde, numa sorveteria. Ele já estava me esperando, porque tinha vindo mais cedo de Suzano. "Mas você mora em Suzano?". Sim, ele morava em Suzano. Trabalhava com campanhas políticas, já tinha saído vereador por algum partido, mas não conseguiu se eleger. Papo vai, papo vem, começamos a falar de viagens. Perguntei qual tinha sido a viagem que ele mais tinha gostado na vida. Ele desconversou, mudou de assunto. Eu retomei. "Nunca saí do Brasil" foi a resposta. Na verdade, mal tinha viajado dentro do Brasil. Morria de medo de andar de avião, tinha claustrofobia de ficar tanto tempo preso num lugar. E tinha medo de chegar num lugar sem saber falar a língua e sem conhecer ninguém. "Vai que algo acontece? Pra quem eu vou ligar?". A insegurança do moço disparou meu sistema de alarme interno, mas ignorei: ele era boa gente, parecia interessado, por que não? Resolvi marcar um segundo encontro.
Marcamos um cinema na semana seguinte. Nos encontramos no Kinoplex Itaim, para assistir "O Exótico Hotel Marigold". Ele chegou atrasado porque estava vindo de Suzano no horário do rush (aqui preciso dizer: o moço foi fofo o suficiente para voltar para Suzano - ele já estava em SP - para tomar banho, se trocar e pegar a estrada novamente pra me encontrar). Assistimos o filme, demos umas risadas e depois emendamos num japa. E em meio à infinidade de sushis e sashimis que lotavam nossa mesa, vi que aquilo não ia dar em nada. Passadas as introduções, o papo não evoluía. E acabou definitivamente quando a certa altura ele me disse que ainda morava com os pais aos 37 anos porque era mais confortável. "Assim eu não tenha que me preocupar em pagar aluguel, lavar roupa ou cozinhar". De repente tudo ficou silencioso e a única frase que reverberava na minha cabeça era "Run, run for your life!". Que foi exatamente o que eu fiz.
S. não tinha uma foto exatamente espetacular no perfil do site de relacionamentos, mas tudo bem, nem sempre o cara é fotogênico. Trocamos umas mensagens, depois tivemos longas conversas no Skype. Tínhamos formação comum, tanto acadêmica quanto religiosa. Ele tinha se casado cedo, mudado para os EUA, tido dois filhos. Separado há três anos, tinha retornado ao Brasil para reconstruir a vida - estava começando um negócio de importação de instrumentos musicais. O encontro no restaurante-adega foi legal, mas nem depois de termos matado uma garrafa inteira de vinho rolou um clima. Já era quase meia-noite quando nos despedimos e, apesar da insistência do moço para me levar para casa, peguei um táxi e fui contando a história pro pobre motorista durante todo o trajeto. Devia ter deixado uma gorjeta maior pra ele.
D. morava numa cidadezinha no interior de MG e nas fotos dava para ver que ele tinha passado por várias fases: a de músico com cabelo comprido, de ator com cabelo curtinho, a de adestrador de cavalos com chapéu. O cara era envolvido com teatro desde idos tempos e agora estava dando um tempo da agitação na calmaria da roça. As mensagens que trocávamos eram surpreendentemente densas pra um site de relacionamento. Nunca achei que fôssemos nos encontrar - tudo bem que eu tô empenhada, mas despencar até Carmo da Cachoeira pra encontrar alguém seria um exagero - mas eis que num sábado de manhã ele me escreve dizendo que estava em Campinas, se eu não queria marcar um café. Marcamos. Nos encontramos. E não demorou para descobrir que não tínhamos absolutamente NADA em comum. O cara era intenso - tão intenso, tão intenso que eu saí do café exausta, com vontade de chorar. Cheguei em casa e às 20h de um sábado lindo eu já estava na cama, porque não tinha energia pra mais nada.
Essa história de Internet dating é tipo jogar na loto. Você faz o jogo, pega a fila na casa lotérica, deixa seu dinheirinho lá e torce pra ter escolhido os números certos. Às vezes você acerta alguns números. Às vezes erra feio. E às vezes, quando as estrelas se alinham, você faz o jogo e leva o prêmio para casa. Quando isso acontece, você pensa: pôxa, até que as horas passadas na fila valeram a pena. O problema é que parece que as estrelas só se alinham quando o cometa Halley passa. Mas continuo jogando. Vai que passa algum outro cometa que eu ainda não conheço e a sorte sorri pra mim?
segunda-feira, 30 de julho de 2012
sexta-feira, 20 de julho de 2012
planilha de excel
Quando eu estiver bem velhinha, no meu leito de morte, vão poder me acusar de tudo, menos de que não me esforcei para encontrar um cara legal com quem viver feliz para sempre.
Desde março me empenho, de uma forma tão irritantemente metódica que só falta envolver uma planilha de Excel, a encontrar minha cara metade. O problema de quando a gente passa por um relacionamento bom é que de repente se vê fora da caverna e percebe que a vida pode ser bem mais completa com alguém. E aí você fica estragada para a vida. Mas isso é tema para outro post.
Renovei minha assinatura no tal site de relacionamentos. Em um ano recebi mais de mil (mil!) perfis em minha caixa postal. Alguns eram legais. Outros nem tanto. Os que listavam a combinação "mulher-sexo-carro-cerveja" como essenciais na vida iam direto para a pasta de arquivados, para nunca mais serem abertos. Eu sei, eu sei, todo mundo me diz para não passar a peneira muito fina. Mas a gente precisa colocar o limite em algum lugar, não?
Desses mil, mandei piscadinhas para alguns, quebra-gelos para outros. Em alguns casos fui ignorada. Em outros fui mandada diretamente para a Sibéria da pasta dos arquivados. Mas em algumas ocasiões, fui correspondida e a comunicação virtual evoluiu para conversas no Skype, que depois se transformaram em encontros de verdade. Só um deles passou para um segundo encontro. Para vocês verem como eu não estou mentindo, alguns highlights dos últimos meses:
F. morava nos fundos da fábrica de auto-peças da família para não perder tempo no trânsito. Era japonês, mas podia ser confundido com um boliviano. Baixinho, simpático, interessado. Era uma espécie de Midas: tudo em que ele colocava a mão dava dinheiro. Tinha uma editora que publicava catálogos no ramo de autopeças, uma mina de ouro. Estava reformando um sítio recém-comprado em Mairiporã. O próximo investimento ia ser numa fazenda de laranjas. Eu, na minha santa miopia, não vi o marido rico em potencial. Deixei o bonde passar e... continuo tendo que trabalhar.
R. estava se mudando da Bélgica para cá, depois de ter morado quase dez anos na Europa. Dois filhos pequenos, estava separado há três anos. Em nosso primeiro encontro, me trouxe de presente uma caixa de chocolate belga. A conversa da Livraria Cultura se estendeu para um almoço no Viena ao lado. As histórias que ele me contava, no entanto, me pareciam surreais demais. Lutou em Kosovo quando tinha 19 anos, tinha sido mandado para o Iraque numa missão - tudo muito 007 pro meu gosto. Ainda me mandou umas mensagens depois desse encontro, mas não me inspirei. Vai que ele era um agente secreto querendo se infiltrar na comunidade chinesa. Se a máfia descobre, eu viro picadinho no Campeão.
E. não negava as raízes bolivianas - era olhar para ele e pensar naqueles bolivianos de poncho que tocam flautinha no Embu. Bem mais novo do que eu, era maquetista 3D (hã?) e fotógrafo nas horas vagas. Bem tímido, falava baixinho e olhando para baixo. Tinha uma filha de quase 10 anos, que morava com a ex-mulher. Não perdia oportunidades de passar o maior tempo possível com a menina, nem que isso significasse viajar com a mãe da menina e o atual marido dela. Vai ser pós-moderno assim lá longe. O jantar foi divertido, mas não via nada além daquilo. Nos despedimos na frente da lanchonete e ele foi enfrentar os quilômetros infindáveis que separam Moema do Bom Retiro.
A. já me esperava no restaurante quando cheguei às 22h, cansada e toda arrumada porque um date é sempre um date. E assim que pus os olhos nele, vi que ele tinha mentido sobre a idade - 40, nem aqui nem na China. Inglês, morava em Valinhos e tinha... quatro filhos. A ex-mulher mora no mesmo condomínio, porque assim as crianças não têm que se deslocar tanto. Tinha um negócio de comércio exterior e viajava muito. Divertido, fez questão de pagar a conta (ponto pra ele), mas eu mencionei que ele tem quatro filhos?
Já cansou? Agora imagina eu. E esses são só o começo.
*suspiro*
Desde março me empenho, de uma forma tão irritantemente metódica que só falta envolver uma planilha de Excel, a encontrar minha cara metade. O problema de quando a gente passa por um relacionamento bom é que de repente se vê fora da caverna e percebe que a vida pode ser bem mais completa com alguém. E aí você fica estragada para a vida. Mas isso é tema para outro post.
Renovei minha assinatura no tal site de relacionamentos. Em um ano recebi mais de mil (mil!) perfis em minha caixa postal. Alguns eram legais. Outros nem tanto. Os que listavam a combinação "mulher-sexo-carro-cerveja" como essenciais na vida iam direto para a pasta de arquivados, para nunca mais serem abertos. Eu sei, eu sei, todo mundo me diz para não passar a peneira muito fina. Mas a gente precisa colocar o limite em algum lugar, não?
Desses mil, mandei piscadinhas para alguns, quebra-gelos para outros. Em alguns casos fui ignorada. Em outros fui mandada diretamente para a Sibéria da pasta dos arquivados. Mas em algumas ocasiões, fui correspondida e a comunicação virtual evoluiu para conversas no Skype, que depois se transformaram em encontros de verdade. Só um deles passou para um segundo encontro. Para vocês verem como eu não estou mentindo, alguns highlights dos últimos meses:
F. morava nos fundos da fábrica de auto-peças da família para não perder tempo no trânsito. Era japonês, mas podia ser confundido com um boliviano. Baixinho, simpático, interessado. Era uma espécie de Midas: tudo em que ele colocava a mão dava dinheiro. Tinha uma editora que publicava catálogos no ramo de autopeças, uma mina de ouro. Estava reformando um sítio recém-comprado em Mairiporã. O próximo investimento ia ser numa fazenda de laranjas. Eu, na minha santa miopia, não vi o marido rico em potencial. Deixei o bonde passar e... continuo tendo que trabalhar.
R. estava se mudando da Bélgica para cá, depois de ter morado quase dez anos na Europa. Dois filhos pequenos, estava separado há três anos. Em nosso primeiro encontro, me trouxe de presente uma caixa de chocolate belga. A conversa da Livraria Cultura se estendeu para um almoço no Viena ao lado. As histórias que ele me contava, no entanto, me pareciam surreais demais. Lutou em Kosovo quando tinha 19 anos, tinha sido mandado para o Iraque numa missão - tudo muito 007 pro meu gosto. Ainda me mandou umas mensagens depois desse encontro, mas não me inspirei. Vai que ele era um agente secreto querendo se infiltrar na comunidade chinesa. Se a máfia descobre, eu viro picadinho no Campeão.
E. não negava as raízes bolivianas - era olhar para ele e pensar naqueles bolivianos de poncho que tocam flautinha no Embu. Bem mais novo do que eu, era maquetista 3D (hã?) e fotógrafo nas horas vagas. Bem tímido, falava baixinho e olhando para baixo. Tinha uma filha de quase 10 anos, que morava com a ex-mulher. Não perdia oportunidades de passar o maior tempo possível com a menina, nem que isso significasse viajar com a mãe da menina e o atual marido dela. Vai ser pós-moderno assim lá longe. O jantar foi divertido, mas não via nada além daquilo. Nos despedimos na frente da lanchonete e ele foi enfrentar os quilômetros infindáveis que separam Moema do Bom Retiro.
A. já me esperava no restaurante quando cheguei às 22h, cansada e toda arrumada porque um date é sempre um date. E assim que pus os olhos nele, vi que ele tinha mentido sobre a idade - 40, nem aqui nem na China. Inglês, morava em Valinhos e tinha... quatro filhos. A ex-mulher mora no mesmo condomínio, porque assim as crianças não têm que se deslocar tanto. Tinha um negócio de comércio exterior e viajava muito. Divertido, fez questão de pagar a conta (ponto pra ele), mas eu mencionei que ele tem quatro filhos?
Já cansou? Agora imagina eu. E esses são só o começo.
*suspiro*
silêncio
Conheci G. num site de relacionamento que assinava há anos mas que nunca havia me rendido nada - talvez porque a maioria dos mocinhos estivesse nos EUA, a umas 8 horas de vôo de qualquer possibilidade de café.
G. caiu na minha caixa postal no final de setembro do ano passado, com um perfil que era quase bom demais pra ser verdade: tinha uma idade boa (41), era gaúcho - e portanto falava com aquele sotaque delicioso do sul -, trabalhava numa empresa séria e fazia doutorado em engenharia mecânica. Como se o currículo não bastasse, fazia escaladas, participava de viagens arqueológicas, pilotava aviões e o principal: era solteiro! Para mim, que por muito tempo só me envolvi com caras de aliança, era a quebra de padrão com que eu sonhei toda minha vida adulta.
Vivemos uma história boa, bonita, leve, cheia de pequenos momentos de ternura. Com ele aprendi muitas coisas, sobre mim mesma e sobre a vida com outro. Era tudo novo e estranhamente encantador. G. foi um brisa de ar fresco na minha vidinha tão cheia de homens mal-resolvidos. Eu, que sempre estive cercada de complicações, me vi sem saber como reagir diante da simplicidade do rapaz. Estava tudo ali, nas conversas e nos silêncios. Simples, a palavra tão super-utilizada, de repente se vestiu de um outro sentido.
G. foi o primeiro relacionamento de verdade que tive. Relacionamento de gente grande. De fazer planos de futuro. Que não deram certo, porque as pessoas mudam, e os sentimentos também. Mas guardo comigo a memória de todas as pequenas gentilezas e descobertas. G. me inspirava a escrever. Com ele, as palavras vinham sem esforço. Como agora.
G. caiu na minha caixa postal no final de setembro do ano passado, com um perfil que era quase bom demais pra ser verdade: tinha uma idade boa (41), era gaúcho - e portanto falava com aquele sotaque delicioso do sul -, trabalhava numa empresa séria e fazia doutorado em engenharia mecânica. Como se o currículo não bastasse, fazia escaladas, participava de viagens arqueológicas, pilotava aviões e o principal: era solteiro! Para mim, que por muito tempo só me envolvi com caras de aliança, era a quebra de padrão com que eu sonhei toda minha vida adulta.
Vivemos uma história boa, bonita, leve, cheia de pequenos momentos de ternura. Com ele aprendi muitas coisas, sobre mim mesma e sobre a vida com outro. Era tudo novo e estranhamente encantador. G. foi um brisa de ar fresco na minha vidinha tão cheia de homens mal-resolvidos. Eu, que sempre estive cercada de complicações, me vi sem saber como reagir diante da simplicidade do rapaz. Estava tudo ali, nas conversas e nos silêncios. Simples, a palavra tão super-utilizada, de repente se vestiu de um outro sentido.
G. foi o primeiro relacionamento de verdade que tive. Relacionamento de gente grande. De fazer planos de futuro. Que não deram certo, porque as pessoas mudam, e os sentimentos também. Mas guardo comigo a memória de todas as pequenas gentilezas e descobertas. G. me inspirava a escrever. Com ele, as palavras vinham sem esforço. Como agora.
mea culpa
Se já existiu nesses tempos modernos algum blog abandonado, resolvidizersim certamente ganharia o título de mais abandonado do mundo. Está aí, largado às traças virtuais, sem nem uma mísera atualização desde 2010, quando resolvi exorcizar os encostos da minha fabulosa existência. O que não quer dizer que nada aconteça na vida incrível das duas visionárias que criaram esse espaço.
Para me redimir desse abandono lamentável, comprometo-me aqui, publicamente, a tentar atualizá-lo de tempos em tempos. Porque ó, história não falta. Falta tempo, falta energia, mas história não falta. Convido "eu aqui" para se unir a mim nesse esforço de tirar resolvidizersim do limbo e, quem sabe, um dia publicarmos um livro sobre nossas peripécias, ficar ricas e dar workshops pelo mundo acompanhadas, se não dos maridos, dos cartões de crédito sem limite que eles vão nos dar.
Para me redimir desse abandono lamentável, comprometo-me aqui, publicamente, a tentar atualizá-lo de tempos em tempos. Porque ó, história não falta. Falta tempo, falta energia, mas história não falta. Convido "eu aqui" para se unir a mim nesse esforço de tirar resolvidizersim do limbo e, quem sabe, um dia publicarmos um livro sobre nossas peripécias, ficar ricas e dar workshops pelo mundo acompanhadas, se não dos maridos, dos cartões de crédito sem limite que eles vão nos dar.
domingo, 21 de novembro de 2010
exorcismo
Esse ano, resolvi dizer não para algumas histórias velhas. Tudo bem, vai contra a filosofia do blog, mas tem horas que a gente tem que escolher. E eu escolho estar rodeada de gente coerente e parar de perder tempo com homens que tiveram mais de uma chance e que conseguiram perder todas elas. Que não tiveram a decência nem o caráter de terminar a história da forma como ela merecia.
Esses homens, depois de um trabalho de observação longo e minucioso, podem ser divididos em algumas categorias.
Tem, por exemplo, o cara enrolão. Ah, nesses eu tenho pós-doc. O que dizer de um cara que "estava se separando" quando começamos a sair, depois se separou de fato para engatar imediatamente um outro casamento, e em todo esse tempo te manteve no banco de reservas? De vez em quando soltava um "eu te amo", como se essa fosse uma frase que se possa soltar por aí, assim, descuidadamente, sem consequências. Como se dizer eu te amo fosse parar no balcão e dizer "Me vê dois pãezinhos, por favor". Gostava de me manter perto, mas numa proximidade segura. Que com dois passos para trás se tornava distância. Um dia, depois de oito anos de relacionamento, resolvi mandá-lo passear. Não ficou nem amizade.
Tem também o cara que, OK, um pouco mais decente, pelo menos não está casado quando te procura. Mas que bastou a mulher/namorada do momento dar um pé que ele, de repente, como num passe de mágica, lembra do seu telefone. E te chama pra sair, pra cinema, pra jantar, pra tomar cerveja, pra dar risada. Mantém aquela coisa ambígua, meio-amigo-meio-pretê. Mas basta a namorada do momento/esposa repensar e resolver voltar, que de repente você não existe mais. Mas e as cervejas, o cinema, as conversas na noite paulista? Não importam, porque agora ele está namorando. Ou casou de novo, nunca se sabe. E eu quase consigo ouvi-lo dizendo: "Mas ó, prometo: se me separar de novo, você vai ser a primeira pessoa pra quem eu vou ligar." Então tá.
E o cara que só te liga quando precisa de alguma coisa? Os torpedos sempre começam com "E aí, quando a gente vai tomar uma caipirinha?". Você responde algo tipo "Que tal semana que vem?" e ele responde imediatamente com "Ótimo, vamos marcar. Enquanto isso, você pode me ajudar com essa info?" Caí uma, caí duas. Na terceira, deixei falando sozinho. E nunca mais fui tomar caipirinha. Pelo menos assim economizo a viagem até o centro da cidade e a carona pós-caipirinha até a casa dele.
Tem também o cara que se faz passar pelo "casado incompreendido". Casou muito cedo, tem filhos marmanjos e está sozinho em outro país. Jura de pés juntos que traiu a mulher uma vez só em 30 anos. Você acredita em tudo que ele diz - como não acreditar num cara que te liga toda vez que vocês se despedem para saber se você já chegou em casa? Até o dia em que você descobre que ele tentou agarrar uma de suas amigas.
Mas, vocês vão dizer, o que um não quer, dois não fazem. Lógico que eu tenho culpa nessas histórias também. A começar pelo meu péssimo gosto pra homens. Por isso, resolvi exorcizar esses caras da minha vida e eliminar qualquer vestígio de velhos padrões que façam repetir, pela enésima vez, esse ciclo suicida.
Resolvi dizer não, pra começar 2011 dizendo sim pros caras certos.
Esses homens, depois de um trabalho de observação longo e minucioso, podem ser divididos em algumas categorias.
Tem, por exemplo, o cara enrolão. Ah, nesses eu tenho pós-doc. O que dizer de um cara que "estava se separando" quando começamos a sair, depois se separou de fato para engatar imediatamente um outro casamento, e em todo esse tempo te manteve no banco de reservas? De vez em quando soltava um "eu te amo", como se essa fosse uma frase que se possa soltar por aí, assim, descuidadamente, sem consequências. Como se dizer eu te amo fosse parar no balcão e dizer "Me vê dois pãezinhos, por favor". Gostava de me manter perto, mas numa proximidade segura. Que com dois passos para trás se tornava distância. Um dia, depois de oito anos de relacionamento, resolvi mandá-lo passear. Não ficou nem amizade.
Tem também o cara que, OK, um pouco mais decente, pelo menos não está casado quando te procura. Mas que bastou a mulher/namorada do momento dar um pé que ele, de repente, como num passe de mágica, lembra do seu telefone. E te chama pra sair, pra cinema, pra jantar, pra tomar cerveja, pra dar risada. Mantém aquela coisa ambígua, meio-amigo-meio-pretê. Mas basta a namorada do momento/esposa repensar e resolver voltar, que de repente você não existe mais. Mas e as cervejas, o cinema, as conversas na noite paulista? Não importam, porque agora ele está namorando. Ou casou de novo, nunca se sabe. E eu quase consigo ouvi-lo dizendo: "Mas ó, prometo: se me separar de novo, você vai ser a primeira pessoa pra quem eu vou ligar." Então tá.
E o cara que só te liga quando precisa de alguma coisa? Os torpedos sempre começam com "E aí, quando a gente vai tomar uma caipirinha?". Você responde algo tipo "Que tal semana que vem?" e ele responde imediatamente com "Ótimo, vamos marcar. Enquanto isso, você pode me ajudar com essa info?" Caí uma, caí duas. Na terceira, deixei falando sozinho. E nunca mais fui tomar caipirinha. Pelo menos assim economizo a viagem até o centro da cidade e a carona pós-caipirinha até a casa dele.
Tem também o cara que se faz passar pelo "casado incompreendido". Casou muito cedo, tem filhos marmanjos e está sozinho em outro país. Jura de pés juntos que traiu a mulher uma vez só em 30 anos. Você acredita em tudo que ele diz - como não acreditar num cara que te liga toda vez que vocês se despedem para saber se você já chegou em casa? Até o dia em que você descobre que ele tentou agarrar uma de suas amigas.
Mas, vocês vão dizer, o que um não quer, dois não fazem. Lógico que eu tenho culpa nessas histórias também. A começar pelo meu péssimo gosto pra homens. Por isso, resolvi exorcizar esses caras da minha vida e eliminar qualquer vestígio de velhos padrões que façam repetir, pela enésima vez, esse ciclo suicida.
Resolvi dizer não, pra começar 2011 dizendo sim pros caras certos.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
freak
Um dos primeiros mocinhos que eu conheci no match.com me parecia um achado. A. tinha um perfil legal - idade boa, viajado, americano, trabalhava num banco internacional, escrevia um português certinho - e tinha me escrito sem ver foto! Das duas, uma: ou era completamente louco ou era muito corajoso e qualquer que fosse o caso, certamente garantiria um date minimamente interessante.
Trocamos emails e as esquisitices começaram:
"Now the important stuff... No history of mental illness or alcoholism or drug addiction. I have no children. I have no ex-wives. (not that theres any wrong with being divorced or having children)... I consider myself pretty normal, but thats for others to judge. Agora o material importante... Nenhum history a doença mental ou o alcoholism ou o addiction da droga. Eu não tenho nenhuma criança. Eu não tenho nenhum ex-esposas. (não esse os errada com ser divorciado ou tendo crianças)..."
Agora me diz: quem, em sã consciência, enfatiza que não tem história de doença mental na família no primeiro contato com uma absoluta estranha? E nas duas línguas, só pra me certificar de que eu tinha entendido! Achei tudo um pouco surreal mas, sem dar ouvido à minha intuição, acabamos marcando um encontro.
Marcamos numa terça-feira, num café dentro de uma livraria. Um lugar iluminado, seguro e movimentado. Antes, incumbi "eu aqui" da missão de me ligar às 20h30 para saber se estava tudo bem.
Cheguei às 20h, como combinado. A. folheava um livro que eu não consegui ver qual era e quando me viu entrar, hesitou entre me cumprimentar ou continuar lendo. Me apresentei, cumprimentamo-nos e fomos para o café. E quando o garçom veio com o cardápio eu já tinha sacado que daquele encontro não ia sair nada.
O moço era quieto, evasivo. Respondia minhas perguntas com outras perguntas ou piadinhas sem graça. Tentei mudar para inglês, talvez fosse o idioma. Nada. A conversa continuava truncada. Nos breves momentos de diálogo, ele (1) disse não entender que tanto as pessoas gostavam do parque Ibirapuera, porque ele não via nada demais nele; (2) reclamou porque os brasileiros precisavam se programar para viajar. "Não entendo por que tanta enrolação. Por que as pessoas não podem pegar as malas e ir para o Peru amanhã, por exemplo?"; (3) declarou que nunca viveria num país poluído, mas que São Paulo não era tão poluído assim.
E eu achando tudo aquilo cena de filme cult. Quanto mais eu tentava uma conversa normal, mais bizarra ela ficava. E quanto mais bizarra, mais eu falava, porque é o que acontece quando fico nervosa. Até que num determinado momento, A. me disse: "Calma, relaxa."
Eu parei de falar imediatamente, rezando para que ele fosse falar "Smile, you're on candid camera!". Nada. Ele cruzou os braços e ficou quieto. E eu fiquei olhando para aquela cena, tentando lembrar se já tinha me metido em fria maior do que essa.
Mas o que mais me incomodou foi o olhar. Um olhar de canto de olho, desconfiado. Ele me olhava, eu desviava o olhar, tomava meu lassi e torcia para que "eu aqui" me ligasse logo para eu ter um pretexto para ir embora.
8h45 e nada de ligação. Resolvi esquecer os bons modos e tomar uma atitude drástica: "Eu ainda não conheço essa livraria. Acho que vou dar uma olhada". A. fez algum comentário do tipo "Essa livraria é muito sem graça" e se levantou logo atrás de mim. Eu circulei pela loja como se estivesse sozinha. Ele ainda tentou conversar um pouco, perguntando dicas de restaurantes chineses. Eu dei sugestões de lugares autênticos, frequentados pela comunidade e que primam pelo mau atendimento, luz branca, chão grudento e comida ótima. Diante da minha descrição, ele imediatamente retrucou: "Nunca entraria num lugar desses."
Eu engoli o xingamento que estava na ponta da língua, fingi que ignorei o comentário e continuei folheando os livros, até que ele finalmente notou que se já houve duas pessoas no mundo que não clicaram, essas pessoas éramos nós. "Acho que já vou indo", disse ele.
Eu respirei aliviada, disse "OK, a gente se fala" e esperei mais uns dez minutos na livraria, só por garantia. E liguei xingando para "eu aqui", que tinha ficado presa numa reunião com o chefe.
Isso é para eu aprender a escutar mais minha intuição.
Trocamos emails e as esquisitices começaram:
"Now the important stuff... No history of mental illness or alcoholism or drug addiction. I have no children. I have no ex-wives. (not that theres any wrong with being divorced or having children)... I consider myself pretty normal, but thats for others to judge. Agora o material importante... Nenhum history a doença mental ou o alcoholism ou o addiction da droga. Eu não tenho nenhuma criança. Eu não tenho nenhum ex-esposas. (não esse os errada com ser divorciado ou tendo crianças)..."
Agora me diz: quem, em sã consciência, enfatiza que não tem história de doença mental na família no primeiro contato com uma absoluta estranha? E nas duas línguas, só pra me certificar de que eu tinha entendido! Achei tudo um pouco surreal mas, sem dar ouvido à minha intuição, acabamos marcando um encontro.
Marcamos numa terça-feira, num café dentro de uma livraria. Um lugar iluminado, seguro e movimentado. Antes, incumbi "eu aqui" da missão de me ligar às 20h30 para saber se estava tudo bem.
Cheguei às 20h, como combinado. A. folheava um livro que eu não consegui ver qual era e quando me viu entrar, hesitou entre me cumprimentar ou continuar lendo. Me apresentei, cumprimentamo-nos e fomos para o café. E quando o garçom veio com o cardápio eu já tinha sacado que daquele encontro não ia sair nada.
O moço era quieto, evasivo. Respondia minhas perguntas com outras perguntas ou piadinhas sem graça. Tentei mudar para inglês, talvez fosse o idioma. Nada. A conversa continuava truncada. Nos breves momentos de diálogo, ele (1) disse não entender que tanto as pessoas gostavam do parque Ibirapuera, porque ele não via nada demais nele; (2) reclamou porque os brasileiros precisavam se programar para viajar. "Não entendo por que tanta enrolação. Por que as pessoas não podem pegar as malas e ir para o Peru amanhã, por exemplo?"; (3) declarou que nunca viveria num país poluído, mas que São Paulo não era tão poluído assim.
E eu achando tudo aquilo cena de filme cult. Quanto mais eu tentava uma conversa normal, mais bizarra ela ficava. E quanto mais bizarra, mais eu falava, porque é o que acontece quando fico nervosa. Até que num determinado momento, A. me disse: "Calma, relaxa."
Eu parei de falar imediatamente, rezando para que ele fosse falar "Smile, you're on candid camera!". Nada. Ele cruzou os braços e ficou quieto. E eu fiquei olhando para aquela cena, tentando lembrar se já tinha me metido em fria maior do que essa.
Mas o que mais me incomodou foi o olhar. Um olhar de canto de olho, desconfiado. Ele me olhava, eu desviava o olhar, tomava meu lassi e torcia para que "eu aqui" me ligasse logo para eu ter um pretexto para ir embora.
8h45 e nada de ligação. Resolvi esquecer os bons modos e tomar uma atitude drástica: "Eu ainda não conheço essa livraria. Acho que vou dar uma olhada". A. fez algum comentário do tipo "Essa livraria é muito sem graça" e se levantou logo atrás de mim. Eu circulei pela loja como se estivesse sozinha. Ele ainda tentou conversar um pouco, perguntando dicas de restaurantes chineses. Eu dei sugestões de lugares autênticos, frequentados pela comunidade e que primam pelo mau atendimento, luz branca, chão grudento e comida ótima. Diante da minha descrição, ele imediatamente retrucou: "Nunca entraria num lugar desses."
Eu engoli o xingamento que estava na ponta da língua, fingi que ignorei o comentário e continuei folheando os livros, até que ele finalmente notou que se já houve duas pessoas no mundo que não clicaram, essas pessoas éramos nós. "Acho que já vou indo", disse ele.
Eu respirei aliviada, disse "OK, a gente se fala" e esperei mais uns dez minutos na livraria, só por garantia. E liguei xingando para "eu aqui", que tinha ficado presa numa reunião com o chefe.
Isso é para eu aprender a escutar mais minha intuição.
diversão garantida
O match.com é um dos sites de relacionamentos mais antigos nesse mercado. Lembro-me de ter feito uma matéria sobre ele em 2000, quando encontrar gente pela Internet ainda era novidade. A matéria, feita para um jornal na Flórida, tinha um tom otimista: um desfile de casais que tinham se encontrado e "vivido felizes para sempre", graças ao match.com.
O serviço se expandiu e hoje tem filiais no mundo todo, inclusive no Brasil. Dá para você usar o serviço sem pagar, mas seus benefícios e acesso à base de dados são restritos. Você não consegue ler emails nem recebe a newsletter diária com uma lista de mocinhos com quem pode dar samba.
Resolvi testar as águas antes de me tornar membro pagante. Meu perfil era simples e curto, sem fotos, com uma ou duas tiradas engraçadinhas, afinal eu tenho uma reputação a zelar. O filtro ia direto ao ponto: mulher solteira procura moços de 32 a 45. Só. Exigência zero.
E aqui começa a diversão. Eu não precisava nem encontrar ninguém. Date, pra quê? Só ler os perfis disponíveis me proporcionava pelo menos algumas horas de entretenimento - seja pela originalidade, sinceridade ou pelo absoluto nonsense da mensagem. Alguns de meus preferidos:
"Disponivel na versao ficante e amante com possivel up grade para namorado. Sou um cara divertido, alegre, super bem humorado, inteligente, aventureiro, carinhoso, companheiro, meu corpo acho q ta legal, um pouco acima do peso, mas providencias sempre estao sendo tomadas, malho, corro e faço spinning todos os dias e assim tento manter o meu corpinho de cinderela, rsrsrsrs, mas penso q sempre temos q ir em busca da perfeição, sou muito vaidoso e gosto de estar bem comigo mesmo, e aproveitem q to em promoção, facinho facinho, mas a liquidação ta acabando, entao aproveitem, rsrsrsrsrs, busco uma mulher inteligente, bom papo, extrovertida, culta, bem tratada, bonita, e tudo mais q tenha OSA, menos as horrorosas por favor, rs, q curta estar comigo sempre, seja vendo um DVD e comendo uma pipoquinha ou viajando o mundo, adoro viajar".
"Sou um homem totalmente independente, leitor convicto, LEIO PELO MENOS UM LIVRO POR SEMANA, fino, idealista, experiente, descomplicado, divertido, cheio de amor e vigor para oferecer a quem tiver anseios semelhantes.Creio em valores que hoje em dia andam meio fora de moda, como o amor ao próximo, respeito sem preconceito e acima de tudo, tolerância para com quem pensa diferente de mim, sem, é claro, perder minha própria identidade.Em suma, livre e desimpedido para assumir uma relação verdadeira. Procuro alguém com as seguintes características: segura de si e que saiba o que quer da vida ou pelo que saiba o que não quer, que não ESPANQUE o vernáculo, PESO E ALTURA PROPORCIONAIS, SOLIDEZ MORAL e espiritual e finalmente, que tenha tempo para ASSUMIR UMA RELAÇÃO. EM TEMPO, não tenho vocação para exercer as funções de pai adotivo (não estou me referindo aos filhos), psicólogo ou instituição financeira. PERFIL SEM FOTO, PERFIL BLOQUEADO, FACIL ASSIM!"
"I am a very nice, well behaved, very romantic natured, humourous and a genuine person. I am very strong in my principles and family values. I am very caring and responsible towards everyone near and dear to me. I'm a person who'll will never disapoint anyone, be it my family, friends and of course my important friends (specially mysoulmate, who's search is also on!) A nice pretty romantic, well mannered girl. She should be from a good family and education background, same as me. She should love me as much I would love her, and trust me also! I look decently well...See my pic here on my profile, and ask me for my latest (good) pics... Many people so far have complimented me for my Good Voice and nice silky hair! I would love to talk to you sometime...So you wanna hear me out?!! Hope to see u respond to my efforts of writing such a long mail... I will tell you my real name, once I communicate with you personally! Romantic Guy"
Mocinhos legais ainda não apareceram. Resolvi aumentar minhas chances e pagar a mensalidade do primeiro mês. Paquerar virtualmente é bem mais difícil do que eu pensava! Mas pelo menos a diversão pro mês está garantida - e pela bagatela de R$ 40.
O serviço se expandiu e hoje tem filiais no mundo todo, inclusive no Brasil. Dá para você usar o serviço sem pagar, mas seus benefícios e acesso à base de dados são restritos. Você não consegue ler emails nem recebe a newsletter diária com uma lista de mocinhos com quem pode dar samba.
Resolvi testar as águas antes de me tornar membro pagante. Meu perfil era simples e curto, sem fotos, com uma ou duas tiradas engraçadinhas, afinal eu tenho uma reputação a zelar. O filtro ia direto ao ponto: mulher solteira procura moços de 32 a 45. Só. Exigência zero.
E aqui começa a diversão. Eu não precisava nem encontrar ninguém. Date, pra quê? Só ler os perfis disponíveis me proporcionava pelo menos algumas horas de entretenimento - seja pela originalidade, sinceridade ou pelo absoluto nonsense da mensagem. Alguns de meus preferidos:
"Disponivel na versao ficante e amante com possivel up grade para namorado. Sou um cara divertido, alegre, super bem humorado, inteligente, aventureiro, carinhoso, companheiro, meu corpo acho q ta legal, um pouco acima do peso, mas providencias sempre estao sendo tomadas, malho, corro e faço spinning todos os dias e assim tento manter o meu corpinho de cinderela, rsrsrsrs, mas penso q sempre temos q ir em busca da perfeição, sou muito vaidoso e gosto de estar bem comigo mesmo, e aproveitem q to em promoção, facinho facinho, mas a liquidação ta acabando, entao aproveitem, rsrsrsrsrs, busco uma mulher inteligente, bom papo, extrovertida, culta, bem tratada, bonita, e tudo mais q tenha OSA, menos as horrorosas por favor, rs, q curta estar comigo sempre, seja vendo um DVD e comendo uma pipoquinha ou viajando o mundo, adoro viajar".
"Sou um homem totalmente independente, leitor convicto, LEIO PELO MENOS UM LIVRO POR SEMANA, fino, idealista, experiente, descomplicado, divertido, cheio de amor e vigor para oferecer a quem tiver anseios semelhantes.Creio em valores que hoje em dia andam meio fora de moda, como o amor ao próximo, respeito sem preconceito e acima de tudo, tolerância para com quem pensa diferente de mim, sem, é claro, perder minha própria identidade.Em suma, livre e desimpedido para assumir uma relação verdadeira. Procuro alguém com as seguintes características: segura de si e que saiba o que quer da vida ou pelo que saiba o que não quer, que não ESPANQUE o vernáculo, PESO E ALTURA PROPORCIONAIS, SOLIDEZ MORAL e espiritual e finalmente, que tenha tempo para ASSUMIR UMA RELAÇÃO. EM TEMPO, não tenho vocação para exercer as funções de pai adotivo (não estou me referindo aos filhos), psicólogo ou instituição financeira. PERFIL SEM FOTO, PERFIL BLOQUEADO, FACIL ASSIM!"
"I am a very nice, well behaved, very romantic natured, humourous and a genuine person. I am very strong in my principles and family values. I am very caring and responsible towards everyone near and dear to me. I'm a person who'll will never disapoint anyone, be it my family, friends and of course my important friends (specially mysoulmate, who's search is also on!) A nice pretty romantic, well mannered girl. She should be from a good family and education background, same as me. She should love me as much I would love her, and trust me also! I look decently well...See my pic here on my profile, and ask me for my latest (good) pics... Many people so far have complimented me for my Good Voice and nice silky hair! I would love to talk to you sometime...So you wanna hear me out?!! Hope to see u respond to my efforts of writing such a long mail... I will tell you my real name, once I communicate with you personally! Romantic Guy"
Mocinhos legais ainda não apareceram. Resolvi aumentar minhas chances e pagar a mensalidade do primeiro mês. Paquerar virtualmente é bem mais difícil do que eu pensava! Mas pelo menos a diversão pro mês está garantida - e pela bagatela de R$ 40.
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
back to the dating game
Depois de um tempo de reclusão, resolvi retomar o projeto. Como disse para minha querida eu aqui, estou precisando de emoção na minha vida. E tem coisa mais emocionante do que se preparar para um encontro?
Fiz meu cadastro em dois sites de relacionamento. Yes, I did. Agora vamos ver o que acontece.
A seguir, cenas do próximo capítulo.
Fiz meu cadastro em dois sites de relacionamento. Yes, I did. Agora vamos ver o que acontece.
A seguir, cenas do próximo capítulo.
sexta-feira, 26 de março de 2010
Às moscas
As moças aqui resolveram dar um tempo no projeto. Só para avisar. "I DO" resolveu dizer sim à vida de empresária de sucesso. Mas tenho certeza de que sem deixar de lado a disposição para seguir em busca de uma vida afetiva menos "Sex and the City" e mais... Mais "I DO".
De minha parte, eu sigo dizendo sim. Ao mesmo moço. Aquele das férias. Andei no meio de um enredo digno do horário nobre de Caracas (o lance foi tão bizarro que novela mexicana era demais). Quaisquer novidades, eu juro que tento postar aqui.
terça-feira, 20 de outubro de 2009
pronto falei
"Não é possível que ninguém te chame para sair!" - essa foi a frase que escutei de "i do"quando parei de atualizar o blog. Mas era a mais pura verdade. Ninguém me chamava para date algum. Ju-ro.
Até que, há uma semana, me chamaram para jantar. Tá bom, vai. A sugestão foi minha.
Eu explico: estava de férias na praia. Conheci um moço que parecia fofo. Viajava com o filho e sua mãe (mãe do moço, não da criança, veja bem). Não dei muita bola. Afinal, bom moço, sabe como é...
Mas nao é que o moço puxou papo? Elogiou meus olhos (meus olhos?!), disse que eu não devia ficar sozinha (eu ficaria sozinha a essa altura da viagem). Sorri amarelo. E disse: vamos jantar então. Mas pensei: vai ele, filho e avó, né?
Poizé, de noite, o moço bateu na minha janela (confesso que estava de banho tomado e pronta). E fomos jantar. Já na saída da pousadinha, ele oferece o braço. Pensei: bom moço e cavalheiro? Não vou gostar. Mas... A essa altura, resolvi dizer sim!
Dei o braço e fomos papeando até o restaurante. O moçoera de atitudes "machas", sabe? Pega na mão mesmo. Olha mesmo. Até que o primeiro beijo foi inevitável. Detalhe: isso tudo antes mesmo de o prato chegar.
O jantar foi bom, o vinho estava ótimo (mas acho até agora que o malbec não combinava com o lagostim), os beijos cheios de vontade. Depois, passeio na vila, paradinha estratégica no posto de conveniência e seguimos para a pousada. Vou poupar vocês dos detalhes.
Eu já estou de volta à minha residência.
Não sei se namorico de férias sobe a serra. Mas tem me rendido torpedos diários de saudade e um encontro marcado para a próxima semana (por coincidência, viajo para a cidade natal dele daqui uns dias). Depois disso, a gente vê o que faz...
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
encontro no deserto
A Namíbia tem apenas dois milhões de habitantes. Cercada pela África do Sul ao sul, Botsuana a leste e Angola ao norte, o país é um grande deserto, com dunas a perder de vista e uma ou duas almas perdidas no meio do caminho.
Por isso fiquei surpresa quando um cara me chamou para sair em Swakopmund, uma das cidades mais turísticas do país e meca de esportes radicais. Quer dizer, quais as chances de ser chamada num date num país que tem só dois milhões de pessoas? Ah, as surpresas das viagens.
Era uma terça-feira. Estava num mini-cruzeiro em Walvis Bay: eu, três casais de franceses que já haviam passado dos 50 anos, o guia M., que era filho de franceses nascido em Kinshasa, no Congo, e o capitão do barco, um cara caricato que tinha lutado na guerra em Angola.
Entre uma explicação e outra para os franceses, eu e M. começamos a conversar. Pense no Danny de Vito. Agora tire o pouco cabelo que lhe resta. Pois é, esse era M. Mas o papo era bom: me contou que passava mais tempo na estrada do que em casa, que nas férias tudo que ele queria era ficar quieto, mas que depois de um tempo começava a bater um desespero de viajar de novo. Vida dura, mas viciante. Falei que estava planejando um safári em Botsuana, se ele tinha dicas. Ele disse que tinha, mas por que a gente não se encontrava à noite para jantar e conversar?
“Sem segundas intenções, só para trocarmos figurinhas de viagens”, ele me garantiu.
O mini-cruzeiro acabou, descemos do barco e trocamos números. Ele me disse que provavelmente ia estar livre depois das 18h, porque estava em função dos franceses, mas para eu ligar quando tivesse acabado minha programação do dia.
Liguei lá pelas 18h30. Confesso que disquei o prefixo 264 sem muita firmeza, porque com aquele monte de areia e escassez de gente da Namíbia, se ele me levasse pra algum lugar e resolvesse me esquartejar, ia ser fácil esconder meus pedacinhos e ninguém nunca ia perceber.
Quase 19h30 M. chega no hotel para me buscar. De van. Sabe aquelas vans imensas, que comportam uma família de 15, com cachorro e papagaio? Pois é. Achei engraçadíssimo ir com aquela van gigante num restaurante. Ele foi o caminho todo se desculpando, porque como estava cobrindo para um colega que estava doente não tinha dado tempo de pegar o carro dele. Eu falei que estava achando tudo ótimo. E estava mesmo.
"Sabe que eu tinha que jantar com os franceses, mas perguntei se eles podiam me liberar. Eles na hora sacaram que era para sair com você. Deram uma risadinha e falaram: vai aproveitar a noite!"
O restaurante, chamado Tug, era uma delícia. À beira-mar, concorridíssimo. Lista de espera de uma semana, mas como ele é guia e leva todos os turistas lá, conseguiu uma mesa em cinco minutos. A garçonete, que provavelmente era amiga dele, nos levou até a mesa e deu uma piscada com cara de "Vai faturar hoje, hein?". Eu fingi que não vi.
O vinho estava maravilhoso, a comida melhor ainda. E quanto mais conversávamos e dávamos risada, mais víamos que não ia rolar nada.
No final do jantar, ele já estava me contando que "lógico que rolava sexo com as clientes", que muitas mulheres que viajam sozinhas têm fetiche com guias turísticos, fenômeno conhecido no meio como "khaki fever" (por causa da cor dos uniformes) e que a mulher mais velha por quem ele já havia sido cantado era uma francesa de 65 anos, que ele não topou "por razões óbvias", mas que esclareceu muitas dúvidas que ele tinha sobre o sexo frágil.
Pedimos a conta - que ele fez questão de pagar e que lhe rendeu alguns brownie points, mas não suficientes -, entramos no quase-trailer e fomos embora. Às 10h da noite, a mega van era o único carro na estrada deserta entre Swakopmund e Walvis Bay. Fomos parados numa posto policial e o guarda, depois de examinar os documentos, deu aquela risadinha de "Vai se dar bem hoje, hein!" Eu fiz minha melhor cara de paisagem e esperei ele liberar a gente.
Quinze minutos depois, estávamos de volta no meu hotel. Ele me abraçou, agradeceu o jantar e disse que tinha gostado muita da companhia. Eu disse o mesmo, de verdade, e desejei feliz aniversário adiantado (o aniversário dele de 42 anos era dali dois dias). Fui para o meu quarto, ele entrou na van e sumiu na estrada escura.
E esse é o fim da história do meu encontro no deserto. No final das contas, nós dois faturamos. Talvez não no sentido sugerido pelas risadinhas e piscadelas, mas tem vezes que dizer sim traz outras coisas: bom vinho, boa comida, boa companhia. E só. E naquela noite, era tudo o que nós dois precisávamos.
Por isso fiquei surpresa quando um cara me chamou para sair em Swakopmund, uma das cidades mais turísticas do país e meca de esportes radicais. Quer dizer, quais as chances de ser chamada num date num país que tem só dois milhões de pessoas? Ah, as surpresas das viagens.
Era uma terça-feira. Estava num mini-cruzeiro em Walvis Bay: eu, três casais de franceses que já haviam passado dos 50 anos, o guia M., que era filho de franceses nascido em Kinshasa, no Congo, e o capitão do barco, um cara caricato que tinha lutado na guerra em Angola.
Entre uma explicação e outra para os franceses, eu e M. começamos a conversar. Pense no Danny de Vito. Agora tire o pouco cabelo que lhe resta. Pois é, esse era M. Mas o papo era bom: me contou que passava mais tempo na estrada do que em casa, que nas férias tudo que ele queria era ficar quieto, mas que depois de um tempo começava a bater um desespero de viajar de novo. Vida dura, mas viciante. Falei que estava planejando um safári em Botsuana, se ele tinha dicas. Ele disse que tinha, mas por que a gente não se encontrava à noite para jantar e conversar?
“Sem segundas intenções, só para trocarmos figurinhas de viagens”, ele me garantiu.
O mini-cruzeiro acabou, descemos do barco e trocamos números. Ele me disse que provavelmente ia estar livre depois das 18h, porque estava em função dos franceses, mas para eu ligar quando tivesse acabado minha programação do dia.
Liguei lá pelas 18h30. Confesso que disquei o prefixo 264 sem muita firmeza, porque com aquele monte de areia e escassez de gente da Namíbia, se ele me levasse pra algum lugar e resolvesse me esquartejar, ia ser fácil esconder meus pedacinhos e ninguém nunca ia perceber.
Quase 19h30 M. chega no hotel para me buscar. De van. Sabe aquelas vans imensas, que comportam uma família de 15, com cachorro e papagaio? Pois é. Achei engraçadíssimo ir com aquela van gigante num restaurante. Ele foi o caminho todo se desculpando, porque como estava cobrindo para um colega que estava doente não tinha dado tempo de pegar o carro dele. Eu falei que estava achando tudo ótimo. E estava mesmo.
"Sabe que eu tinha que jantar com os franceses, mas perguntei se eles podiam me liberar. Eles na hora sacaram que era para sair com você. Deram uma risadinha e falaram: vai aproveitar a noite!"
O restaurante, chamado Tug, era uma delícia. À beira-mar, concorridíssimo. Lista de espera de uma semana, mas como ele é guia e leva todos os turistas lá, conseguiu uma mesa em cinco minutos. A garçonete, que provavelmente era amiga dele, nos levou até a mesa e deu uma piscada com cara de "Vai faturar hoje, hein?". Eu fingi que não vi.
O vinho estava maravilhoso, a comida melhor ainda. E quanto mais conversávamos e dávamos risada, mais víamos que não ia rolar nada.
No final do jantar, ele já estava me contando que "lógico que rolava sexo com as clientes", que muitas mulheres que viajam sozinhas têm fetiche com guias turísticos, fenômeno conhecido no meio como "khaki fever" (por causa da cor dos uniformes) e que a mulher mais velha por quem ele já havia sido cantado era uma francesa de 65 anos, que ele não topou "por razões óbvias", mas que esclareceu muitas dúvidas que ele tinha sobre o sexo frágil.
Pedimos a conta - que ele fez questão de pagar e que lhe rendeu alguns brownie points, mas não suficientes -, entramos no quase-trailer e fomos embora. Às 10h da noite, a mega van era o único carro na estrada deserta entre Swakopmund e Walvis Bay. Fomos parados numa posto policial e o guarda, depois de examinar os documentos, deu aquela risadinha de "Vai se dar bem hoje, hein!" Eu fiz minha melhor cara de paisagem e esperei ele liberar a gente.
Quinze minutos depois, estávamos de volta no meu hotel. Ele me abraçou, agradeceu o jantar e disse que tinha gostado muita da companhia. Eu disse o mesmo, de verdade, e desejei feliz aniversário adiantado (o aniversário dele de 42 anos era dali dois dias). Fui para o meu quarto, ele entrou na van e sumiu na estrada escura.
E esse é o fim da história do meu encontro no deserto. No final das contas, nós dois faturamos. Talvez não no sentido sugerido pelas risadinhas e piscadelas, mas tem vezes que dizer sim traz outras coisas: bom vinho, boa comida, boa companhia. E só. E naquela noite, era tudo o que nós dois precisávamos.
What we really need is a festival to celebrate love's many torments. Bring on Unvalentine's Day
Talvez um pouco cínico, mas a idéia de um Unvalentine´s Day até que não soa tão mal. Atire a primeira pedra quem nunca pensou nisso...
#######
This week, millions of people across the country will celebrate the crippling delusion known as "love" by sending flowers, booking restaurants and placing stomach-churning small ads in newspapers. Valentine's Day - the only national occasion dedicated to mental illness - is a stressful ordeal at the best of times.
If you've just started seeing someone, the day is fraught with peril. Say your current dalliance only began less than a month ago: is sending a card a bit full-on? What if you ignore it, only to discover they've bought you a 5kg Cupid-shaped diamond in a presentation box made of compressed rose petals?
Few things are worse than receiving a heartfelt Valentine's gift from someone you're still not sure about. It's a crystallising moment: chances are you'll suddenly know, deep in your bones, that they're not the one for you. And while your gut contemplates that sad reality, your brain repeatedly screams at your face not to give the game away, and you have to gaze at them with a fake smile and a fake dewy expression, until the pressure and shame involved in maintaining the facade makes you start to hate them for pointless reasons, like the stupid way they sit, or the stupid way they breathe, or the stupid way their pupils dilate when they look at you, planning your life together.
For those in established relationships, it's a perfunctory, grinding ceremony. On February 14 restaurants nationwide play host to joyless couples begrudgingly sharing an overpriced meal in near-silence, each of them desperately trying to avoid a row because, well, it's Valentine's Day, and nothing says "I sort of love you, I think, although I can't really tell any more" quite like the ability to sustain an awkward, argument-free detente for one 24-hour period a year.
And, of course, if you're single, it's a thudding reminder of your increasingly desperate isolation. You're stranded somewhere out on Thunderbird Five, picking up chuckles and kissy-sounds from the planet below, separated from the action by the cold gulf of space. It's especially sharp if you've just been dumped and are feeling pretty raw about it, thanks. Under those circumstances, it's a cruel joke: you're like a one-legged man on National Riverdance Day.
What's required is something to redress the balance: an Unvalentine's Day, if you will. A day that actively celebrates love's festering undercarriage. February 15 is ideal: there will be plenty of willing participants by then. Of course, if Unvalentine's Day is going to succeed, it will require commercial backing - which shouldn't be a problem, because there are loads of money-spinning opportunities here.
First off, how about a range of Unvalentine cards containing bitter messages for ex-lovers? Typical example: a mournful cartoon bunny with a harpoon lodged in its chest cavity, staggering blank-faced into oncoming traffic, with YOU RUINED MY LIFE printed across the top in massive, scab-red lettering. Or perhaps a Photoshopped image of Hitler snoozing in bed, accompanied by the words HOW CAN YOU SLEEP AT NIGHT? Naturally, each card would have a little poem on the inside, something such as: Roses are red/Violets are blue/I'm a meaningless robot/Molested by you.
There would also be a range aimed at disillusioned long-term couples: epithets include I CAN'T TAKE MUCH MORE OF THIS, IT ISN'T REALLY WORKING, and our-bestseller, the starkly effective DYING INSIDE.
The aforementioned restaurants can get in on the act too, by hosting Unvalentine meals specially designed for couples on the verge of a break-up. There'd be no red wine, so you can chuck drinks over each other without ruining your clothes, and all the food would be incredibly spicy, so when you tell your partner of seven years that you're seeing someone else, and tears start pouring down both your faces, anyone nosey enough to look on will simply think you're reacting to the chillies. The toilets would be manned by male and female prostitutes, so you can indulge in some cathartic, self-hating rebound sex within five minutes of getting the old heave-ho.
Cheating on your partner, incidentally, is actively encouraged on Unvalentine's Day. Consider it a 24-hour carte blanche to shag whoever you please. Developing an obsession with someone in the office? Get it out of your system on February 15! Let's face it, it's probably good for both of you in the long run.
As well as celebrating the death of existing loves, Unvalentine's Day can also accommodate all the loves that never were: the thwarted crushes, unrequited yearnings, and hopeless unspoken dreams. So if there's a friend you're desperately holding a candle for, even though they've pointed out time and time again that it's never going to happen, this is your "me-time": you're permitted to call them up and howl down the phone for half an hour, or stand pleading outside their window like a sap. And for one day only, it's illegal for anyone to pity you.
In summary, Unvalentine's Day promises to be the most coldly practical celebratory festival in history - a far healthier affair than Valentine's Day itself. True love is so uncontrollably delightful, there's no need to set aside a mere day in its honour. As for love's torments - well, it's probably best to compress and release them in a single, orderly burst, once a year. And that day is February 15. Mark it in your diary. Next to the tearstains.
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This week, millions of people across the country will celebrate the crippling delusion known as "love" by sending flowers, booking restaurants and placing stomach-churning small ads in newspapers. Valentine's Day - the only national occasion dedicated to mental illness - is a stressful ordeal at the best of times.
If you've just started seeing someone, the day is fraught with peril. Say your current dalliance only began less than a month ago: is sending a card a bit full-on? What if you ignore it, only to discover they've bought you a 5kg Cupid-shaped diamond in a presentation box made of compressed rose petals?
Few things are worse than receiving a heartfelt Valentine's gift from someone you're still not sure about. It's a crystallising moment: chances are you'll suddenly know, deep in your bones, that they're not the one for you. And while your gut contemplates that sad reality, your brain repeatedly screams at your face not to give the game away, and you have to gaze at them with a fake smile and a fake dewy expression, until the pressure and shame involved in maintaining the facade makes you start to hate them for pointless reasons, like the stupid way they sit, or the stupid way they breathe, or the stupid way their pupils dilate when they look at you, planning your life together.
For those in established relationships, it's a perfunctory, grinding ceremony. On February 14 restaurants nationwide play host to joyless couples begrudgingly sharing an overpriced meal in near-silence, each of them desperately trying to avoid a row because, well, it's Valentine's Day, and nothing says "I sort of love you, I think, although I can't really tell any more" quite like the ability to sustain an awkward, argument-free detente for one 24-hour period a year.
And, of course, if you're single, it's a thudding reminder of your increasingly desperate isolation. You're stranded somewhere out on Thunderbird Five, picking up chuckles and kissy-sounds from the planet below, separated from the action by the cold gulf of space. It's especially sharp if you've just been dumped and are feeling pretty raw about it, thanks. Under those circumstances, it's a cruel joke: you're like a one-legged man on National Riverdance Day.
What's required is something to redress the balance: an Unvalentine's Day, if you will. A day that actively celebrates love's festering undercarriage. February 15 is ideal: there will be plenty of willing participants by then. Of course, if Unvalentine's Day is going to succeed, it will require commercial backing - which shouldn't be a problem, because there are loads of money-spinning opportunities here.
First off, how about a range of Unvalentine cards containing bitter messages for ex-lovers? Typical example: a mournful cartoon bunny with a harpoon lodged in its chest cavity, staggering blank-faced into oncoming traffic, with YOU RUINED MY LIFE printed across the top in massive, scab-red lettering. Or perhaps a Photoshopped image of Hitler snoozing in bed, accompanied by the words HOW CAN YOU SLEEP AT NIGHT? Naturally, each card would have a little poem on the inside, something such as: Roses are red/Violets are blue/I'm a meaningless robot/Molested by you.
There would also be a range aimed at disillusioned long-term couples: epithets include I CAN'T TAKE MUCH MORE OF THIS, IT ISN'T REALLY WORKING, and our-bestseller, the starkly effective DYING INSIDE.
The aforementioned restaurants can get in on the act too, by hosting Unvalentine meals specially designed for couples on the verge of a break-up. There'd be no red wine, so you can chuck drinks over each other without ruining your clothes, and all the food would be incredibly spicy, so when you tell your partner of seven years that you're seeing someone else, and tears start pouring down both your faces, anyone nosey enough to look on will simply think you're reacting to the chillies. The toilets would be manned by male and female prostitutes, so you can indulge in some cathartic, self-hating rebound sex within five minutes of getting the old heave-ho.
Cheating on your partner, incidentally, is actively encouraged on Unvalentine's Day. Consider it a 24-hour carte blanche to shag whoever you please. Developing an obsession with someone in the office? Get it out of your system on February 15! Let's face it, it's probably good for both of you in the long run.
As well as celebrating the death of existing loves, Unvalentine's Day can also accommodate all the loves that never were: the thwarted crushes, unrequited yearnings, and hopeless unspoken dreams. So if there's a friend you're desperately holding a candle for, even though they've pointed out time and time again that it's never going to happen, this is your "me-time": you're permitted to call them up and howl down the phone for half an hour, or stand pleading outside their window like a sap. And for one day only, it's illegal for anyone to pity you.
In summary, Unvalentine's Day promises to be the most coldly practical celebratory festival in history - a far healthier affair than Valentine's Day itself. True love is so uncontrollably delightful, there's no need to set aside a mere day in its honour. As for love's torments - well, it's probably best to compress and release them in a single, orderly burst, once a year. And that day is February 15. Mark it in your diary. Next to the tearstains.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
speed dating
Demorou mas criei coragem: fui num evento de speed dating outro dia (e com o conselho de euaqui em mente, fiz uma maquiagem mais caprichadinha pra não passar desapercebida).
Pra quem não sabe o que é speed dating: cinco (ou dez, ou quinze) mulheres e homens que não se conhecem se reúnem e têm cinco minutos pra conversar com cada um. Geralmente a moça fica sentada e os homens vão passando de mesa em mesa. Cinco minutos de conversa e aí a "coordenadora" do evento toca um sininho. Próximo. No dia seguinte do evento, você vai no site e coloca o nome dos mocinhos de quem você gostou. Se ele colocou seu nome, rola uma troca de contatos. Senão, nada feito e você sai no prejuízo. Sim, porque o evento custa 160 rands (uns 35 reais), vinho incluído.
No meu caso, fui e arrastei mais duas amigas. Fomos o segundo grupo a chegar. O primeiro eram dois rapazes com cara de vinte e poucos, já com as taças de vinho na mão. A atmosfera era quase como o primeiro dia de aula, com aquela preocupação "Será que vou fazer amigos?"
O evento começou com meia hora de atraso. A coordenadora explicou em que sentido os mocinhos teriam que circular (sentido horário), encheu as taças de todo mundo e deu a largada.
Na minha mesa vieram parar primeiro dois irmãos da Cidade do Cabo - na verdade um, depois o outro, mas sério, quem leva irmão num evento desses? Estranhíssimos. Dez minutos mais longos da minha vida. Limados imediatamente da lista.
Depois veio um belga, de cujo rosto não me lembro bem e que trabalha com alguma coisa de... barco? Navio? Canoa? Submarino? Não sei, era algo com transporte marítimo. Lembro que era simpático, tinha bom papo e uma idade boa. Hmm, asterisco no nome dele. Fazer follow-up.
Depois veio um chinês sul-africano que olhou pra mim e disse: você é filha de chineses, já morou nos EUA e trabalha com comunicação. Uau, será que esse cara leu meu currículo? Fiquei impressionada. Mocinho interessante, trabalha em banco de investimentos. Gosta de mergulho e outros esportes radicais. Irmão faz Stanford. Será que ele é o irmão loser?
O último foi um rapaz com cara e nome de italiano: Antonino. Na verdade pai italiano, mãe grega. Gordinho, engraçado, mas moleque. E de moleque já foi minha cota do milênio. Fora que ele se referiu à irmã dele como "velha". Idade da mana? 34. Gongado na hora.
Depois que o último sininho tocou, descemos todos para o bar para descarregar a tensão. E aí foi interessante ver os mocinhos numa situação de grupo: os irmãos estranhos ficaram isolados num canto (depois descobri que eu não fui a única que achei eles estranhos), o belga pediu comida para toda a mesa, o italiano gordinho atacou a comida imediatamente e o chinês grudou na gente que nem chiclete. Estávamos até achando engraçado, quando ele solta: "So, who would you choose, Brad or George?"
"Brad or George"? "Brad or George"??? Brad or George não dá, né? Se eu tinha alguma dúvida, aqui ficou provado que ele é, de fato, o loser brother. O irmão dele deve ter ido pra Stanford só pra não passar mais vergonha.
Foi a deixa para pedirmos a conta. Pagamos, nos despedimos do povo que ainda estava começando a comer e fomos para minha casa. Abrimos uma lata de sorvete de chocolate e nos acomodamos no sofá para assistir "Sex and the City".
Porque tem dias que a ficção é bem melhor que a vida real.
Pra quem não sabe o que é speed dating: cinco (ou dez, ou quinze) mulheres e homens que não se conhecem se reúnem e têm cinco minutos pra conversar com cada um. Geralmente a moça fica sentada e os homens vão passando de mesa em mesa. Cinco minutos de conversa e aí a "coordenadora" do evento toca um sininho. Próximo. No dia seguinte do evento, você vai no site e coloca o nome dos mocinhos de quem você gostou. Se ele colocou seu nome, rola uma troca de contatos. Senão, nada feito e você sai no prejuízo. Sim, porque o evento custa 160 rands (uns 35 reais), vinho incluído.
No meu caso, fui e arrastei mais duas amigas. Fomos o segundo grupo a chegar. O primeiro eram dois rapazes com cara de vinte e poucos, já com as taças de vinho na mão. A atmosfera era quase como o primeiro dia de aula, com aquela preocupação "Será que vou fazer amigos?"
O evento começou com meia hora de atraso. A coordenadora explicou em que sentido os mocinhos teriam que circular (sentido horário), encheu as taças de todo mundo e deu a largada.
Na minha mesa vieram parar primeiro dois irmãos da Cidade do Cabo - na verdade um, depois o outro, mas sério, quem leva irmão num evento desses? Estranhíssimos. Dez minutos mais longos da minha vida. Limados imediatamente da lista.
Depois veio um belga, de cujo rosto não me lembro bem e que trabalha com alguma coisa de... barco? Navio? Canoa? Submarino? Não sei, era algo com transporte marítimo. Lembro que era simpático, tinha bom papo e uma idade boa. Hmm, asterisco no nome dele. Fazer follow-up.
Depois veio um chinês sul-africano que olhou pra mim e disse: você é filha de chineses, já morou nos EUA e trabalha com comunicação. Uau, será que esse cara leu meu currículo? Fiquei impressionada. Mocinho interessante, trabalha em banco de investimentos. Gosta de mergulho e outros esportes radicais. Irmão faz Stanford. Será que ele é o irmão loser?
O último foi um rapaz com cara e nome de italiano: Antonino. Na verdade pai italiano, mãe grega. Gordinho, engraçado, mas moleque. E de moleque já foi minha cota do milênio. Fora que ele se referiu à irmã dele como "velha". Idade da mana? 34. Gongado na hora.
Depois que o último sininho tocou, descemos todos para o bar para descarregar a tensão. E aí foi interessante ver os mocinhos numa situação de grupo: os irmãos estranhos ficaram isolados num canto (depois descobri que eu não fui a única que achei eles estranhos), o belga pediu comida para toda a mesa, o italiano gordinho atacou a comida imediatamente e o chinês grudou na gente que nem chiclete. Estávamos até achando engraçado, quando ele solta: "So, who would you choose, Brad or George?"
"Brad or George"? "Brad or George"??? Brad or George não dá, né? Se eu tinha alguma dúvida, aqui ficou provado que ele é, de fato, o loser brother. O irmão dele deve ter ido pra Stanford só pra não passar mais vergonha.
Foi a deixa para pedirmos a conta. Pagamos, nos despedimos do povo que ainda estava começando a comer e fomos para minha casa. Abrimos uma lata de sorvete de chocolate e nos acomodamos no sofá para assistir "Sex and the City".
Porque tem dias que a ficção é bem melhor que a vida real.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
Justa acusação
No meu caso, dizer que abandonei o projeto três posts depois é verdade. Mas, pípou, tá broca. Ontem percebi, durante a ginástcia laboral na firrrrrma, que precisava cortar as unhas. Fala sério! Tempo? Nem sei mais que é isso.
Tô começando a achar que se não cair no meu colo - fodeu. Ou melhor, nada de foder...
(okeudokey, baixei o nível....)
Tô começando a achar que se não cair no meu colo - fodeu. Ou melhor, nada de foder...
(okeudokey, baixei o nível....)
sábado, 13 de dezembro de 2008
propaganda enganosa?
Tem gente por aí dizendo que o título do blog faz propaganda enganosa porque eu digo mais não do que sim para os mocinhos. Estatisticamente falando, existe fundamento na reclamação. Mas se analisar bem, vocês vão entender o motivo por trás dos "nãos".
Com vocês, the bachelors:
Bachelor number 1: carinha de bom moço, mais pra gordinho que pra magrinho, óculos de aro de metal, com um pé na casa dos 40 anos. Estávamos num bar sensacional, eu no aniversário de uma amiga, ele esperando um casal de amigos (que deram um chá de cadeira de mais de duas horas no pobrezinho). Acabamos engatando uma conversa, ele obviamente interessado. Os amigos chegaram, foram sentar noutra mesa. Quando eu estava quase indo embora, fui me despedir, e ele: "Criei coragem e queria te convidar pra ir num casamento amanhã comigo. Você já tem compromisso?" Devia ter dito sim, mas me deu um certo pânico pensar que se o date fosse um erro e o cara fosse um chato eu teria que esperar até ele resolver ir embora para voltar para casa. Já pensou? Acabei passando. Depois tive que ouvir de um amigo: "Você devia ter aceitado! Você poderia ter conhecido alguém interessante no casamento!" Bom, é errando que se aprende. Da próxima vez, vou até se me convidarem pro batizado do filho da vizinha da prima.
Bachelor number 2: estava saindo do cinema, já eram 23h. Desci de elevador até o estacionamento e senti que tinha um cara me seguindo. Não era mal-encarado, mas às 23h eu desconfio até da minha mãe. Apertei o passo, ele também. Já estava chegando no meu carro e pensando se devia parar ou continuar andando até encontrar um guarda. Nos cinco segundos de dúvida ele pára ao meu lado e diz, como se fosse a coisa mais normal do mundo: "Queria te conhecer melhor..."
"Como?", perguntei, enquanto procurava um guarda.
"Queria te conhecer melhor", ele repetiu.
"Ah, que pena. Já estou indo pra casa." (na dúvida, mantenha sempre a diplomacia)
"E outro dia?"
"Ah, acho que meu namorado não vai gostar." (que namorado, sabe Deus)
A palavrinha mágica funcionou. O moço pediu desculpas e saiu de mansinho. E eu entrei no carro correndo, travei as portas e passei o caminho de volta checando o retrovisor para possíveis stalkers.
Bachelor number 3: mocinho com quem eu já tinha saído e com quem tive uma história complicadíssima. Demorei mais de um ano para me recuperar e conseguir olhar pra ele sem tremer nas bases. Garoto de tudo, mas um charme de matar. Ele tinha acabado de tomar um pé MONSTRO da namorada e resolveu ligar para quem? Exatamente, moi. E eu, com uma lucidez adquirida às custas de muita insônia e terapia, disse não. De boca cheia. Duas semanas depois ele ligou de novo. Eu disse não de novo (confesso que dessa vez com um pouco menos de convicção, mas ainda "não"). Afinal, não quero ser o passatempo até a ex resolver voltar com ele. E como diz um grande amigo mineiro (os mineiros são muito sábios, estou chegando a essa conclusão), usando o exemplo da música do Gabriel, o Pensador: se ele ligou pra mim, eu posso ter certeza de que ele ligou para as outras que estavam no caderninho dele.
E essas são as justificativas para todos os "nãos" que eu disse nessas últimas semanas. E embora eu tenha sido acusada de propaganda enganosa, o legal disso tudo é que esses "nãos" me fazem analisar as razões por que eu estou recusando sair com o cara. E por consequência, me ajuda a entender pra quem eu realmente quero dizer sim.
Com vocês, the bachelors:
Bachelor number 1: carinha de bom moço, mais pra gordinho que pra magrinho, óculos de aro de metal, com um pé na casa dos 40 anos. Estávamos num bar sensacional, eu no aniversário de uma amiga, ele esperando um casal de amigos (que deram um chá de cadeira de mais de duas horas no pobrezinho). Acabamos engatando uma conversa, ele obviamente interessado. Os amigos chegaram, foram sentar noutra mesa. Quando eu estava quase indo embora, fui me despedir, e ele: "Criei coragem e queria te convidar pra ir num casamento amanhã comigo. Você já tem compromisso?" Devia ter dito sim, mas me deu um certo pânico pensar que se o date fosse um erro e o cara fosse um chato eu teria que esperar até ele resolver ir embora para voltar para casa. Já pensou? Acabei passando. Depois tive que ouvir de um amigo: "Você devia ter aceitado! Você poderia ter conhecido alguém interessante no casamento!" Bom, é errando que se aprende. Da próxima vez, vou até se me convidarem pro batizado do filho da vizinha da prima.
Bachelor number 2: estava saindo do cinema, já eram 23h. Desci de elevador até o estacionamento e senti que tinha um cara me seguindo. Não era mal-encarado, mas às 23h eu desconfio até da minha mãe. Apertei o passo, ele também. Já estava chegando no meu carro e pensando se devia parar ou continuar andando até encontrar um guarda. Nos cinco segundos de dúvida ele pára ao meu lado e diz, como se fosse a coisa mais normal do mundo: "Queria te conhecer melhor..."
"Como?", perguntei, enquanto procurava um guarda.
"Queria te conhecer melhor", ele repetiu.
"Ah, que pena. Já estou indo pra casa." (na dúvida, mantenha sempre a diplomacia)
"E outro dia?"
"Ah, acho que meu namorado não vai gostar." (que namorado, sabe Deus)
A palavrinha mágica funcionou. O moço pediu desculpas e saiu de mansinho. E eu entrei no carro correndo, travei as portas e passei o caminho de volta checando o retrovisor para possíveis stalkers.
Bachelor number 3: mocinho com quem eu já tinha saído e com quem tive uma história complicadíssima. Demorei mais de um ano para me recuperar e conseguir olhar pra ele sem tremer nas bases. Garoto de tudo, mas um charme de matar. Ele tinha acabado de tomar um pé MONSTRO da namorada e resolveu ligar para quem? Exatamente, moi. E eu, com uma lucidez adquirida às custas de muita insônia e terapia, disse não. De boca cheia. Duas semanas depois ele ligou de novo. Eu disse não de novo (confesso que dessa vez com um pouco menos de convicção, mas ainda "não"). Afinal, não quero ser o passatempo até a ex resolver voltar com ele. E como diz um grande amigo mineiro (os mineiros são muito sábios, estou chegando a essa conclusão), usando o exemplo da música do Gabriel, o Pensador: se ele ligou pra mim, eu posso ter certeza de que ele ligou para as outras que estavam no caderninho dele.
E essas são as justificativas para todos os "nãos" que eu disse nessas últimas semanas. E embora eu tenha sido acusada de propaganda enganosa, o legal disso tudo é que esses "nãos" me fazem analisar as razões por que eu estou recusando sair com o cara. E por consequência, me ajuda a entender pra quem eu realmente quero dizer sim.
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
corte de cabelo
A vida anda corrida e quase não dá tempo de fazer supermercado, quanto mais me dedicar a dizer sim aos mocinhos. Ah, mas não perdi as esperanças. O experimento continua, mesmo que não tenha post toda semana.
O problema é que os mocinhos pra quem eu quero dizer sim não me dão brecha para isso. Por exemplo, uma quarta-feira dessas eu estava no meu restaurante chinês preferido, esperando a comida para viagem, quando aparece um rapaz bem bonitinho. Devia ter seus 30 e poucos, mas não me lembro muito bem do rosto. O que mais me marcou foi o corte de cabelo: sabe aquele corte que fica perfeito, cortado meticulosamente, mas sem aquela coisa de revista? Então.
Aí eu estava sentada lá, esperando a comida e ele senta do meu lado.
"E aí a gente espera...", disse ele, puxando papo.
"Ah, mas vale a pena. A comida é boa", respondi, como boa chinesa.
O papo engatou e enquanto a comida não chegava, conversamos sobre amenidades: ele trabalha com TI, já visitou o Brasil e tem conta no Standard Bank (eu vi o cartão quando ele foi pagar).
Dez minutos depois minha comida estava pronta.
"Ah, mas foi tão rápido!", ele reclamou. "Não é sempre que eu encontro alguém interessante assim. Queria continuar conversando com você, mas tô sem nenhum cartão aqui pra te dar."
Não por isso: na hora tirei um cartão de visita da minha bolsa. Ele me acompanhou até a saída, abriu a porta para mim e disse que ia me ligar. Se ele ligasse, não ia ter dúvida: eu ia dizer simsimsim.
Ligou para você? Para mim também não.
Aí passou quinta, passou sexta e eu esqueci do encontro. No sábado de manhã estava eu no shopping fazendo supermercado quando dou de cara com quem? Exatamente: o dono do corte de cabelo perfeito. Ele me viu e veio conversar comigo. Conversamos mais amenidades - ele tinha comprado uma bermuda na Levi's, gostou da comida do chinês daquele dia, mas não gostou muito que molho vazou e manchou o banco do carro - e em pouco menos de 3 minutos o papo tinha acabado.
"A gente precisa tomar um café um dia desses", ele sugeriu, num tom que era mais de educação do que intenção.
"Bom, você tem meu cartão", lembrei. "Me liga um dia desses."
"Pode deixar."
Ligou para você? Pra mim também não.
E essa foi a última vez que encontrei o moço. Uma pena, porque o simsimsim estava na ponta da língua, nem que fosse para conversar mais cinco minutos e pegar o contato da pessoa que corta o cabelo dele.
O problema é que os mocinhos pra quem eu quero dizer sim não me dão brecha para isso. Por exemplo, uma quarta-feira dessas eu estava no meu restaurante chinês preferido, esperando a comida para viagem, quando aparece um rapaz bem bonitinho. Devia ter seus 30 e poucos, mas não me lembro muito bem do rosto. O que mais me marcou foi o corte de cabelo: sabe aquele corte que fica perfeito, cortado meticulosamente, mas sem aquela coisa de revista? Então.
Aí eu estava sentada lá, esperando a comida e ele senta do meu lado.
"E aí a gente espera...", disse ele, puxando papo.
"Ah, mas vale a pena. A comida é boa", respondi, como boa chinesa.
O papo engatou e enquanto a comida não chegava, conversamos sobre amenidades: ele trabalha com TI, já visitou o Brasil e tem conta no Standard Bank (eu vi o cartão quando ele foi pagar).
Dez minutos depois minha comida estava pronta.
"Ah, mas foi tão rápido!", ele reclamou. "Não é sempre que eu encontro alguém interessante assim. Queria continuar conversando com você, mas tô sem nenhum cartão aqui pra te dar."
Não por isso: na hora tirei um cartão de visita da minha bolsa. Ele me acompanhou até a saída, abriu a porta para mim e disse que ia me ligar. Se ele ligasse, não ia ter dúvida: eu ia dizer simsimsim.
Ligou para você? Para mim também não.
Aí passou quinta, passou sexta e eu esqueci do encontro. No sábado de manhã estava eu no shopping fazendo supermercado quando dou de cara com quem? Exatamente: o dono do corte de cabelo perfeito. Ele me viu e veio conversar comigo. Conversamos mais amenidades - ele tinha comprado uma bermuda na Levi's, gostou da comida do chinês daquele dia, mas não gostou muito que molho vazou e manchou o banco do carro - e em pouco menos de 3 minutos o papo tinha acabado.
"A gente precisa tomar um café um dia desses", ele sugeriu, num tom que era mais de educação do que intenção.
"Bom, você tem meu cartão", lembrei. "Me liga um dia desses."
"Pode deixar."
Ligou para você? Pra mim também não.
E essa foi a última vez que encontrei o moço. Uma pena, porque o simsimsim estava na ponta da língua, nem que fosse para conversar mais cinco minutos e pegar o contato da pessoa que corta o cabelo dele.
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Clipping
i do, acabo de ler e me lembrei que você está prestes a participar de um evento de speed dating...
Aparência conta mais em grupos grandes de 'speed dating'
A matéria da BBC diz: "Quem procurar por um parceiro em eventos de "speed dating", em que encontros amorosos rápidos são promovidos, pode acabar decepcionado, segundo reportagem publicada na revista New Scientist. Leia a matéria comleta aqui.
Aparência conta mais em grupos grandes de 'speed dating'
A matéria da BBC diz: "Quem procurar por um parceiro em eventos de "speed dating", em que encontros amorosos rápidos são promovidos, pode acabar decepcionado, segundo reportagem publicada na revista New Scientist. Leia a matéria comleta aqui.
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
Basta que EUAQUI diga sim?
Estive pensando em postar o dia todo - o dia todo não. Na verdade, só nos intervalos entre um pepino e outro. Gente, basta que euaqui diga sim?
Quando eu vou poder dizer sim?
Pode até ser TPM (tô mesmo nesse período perigoso do mês), mas a vontade é de sentar e chorar. Juro. Acordei às 5 h para fechar um material que precisava estar pronto às 7 h - por que às 7 h? Porque eu quis, porque não agüentava mais adiar essa entrega que estava na minha frente h;a duas semanas. Depois, de trabalhar entre 5 h e 10 h, fui para uma reunião. Falei, falei. Voltei, saí para o almoço. Outra reunião. Daí um compromisso de última hora - não era um compromisso meu exatamente, mas chamei para mim. Quando acabou, eu estava uma pilha. E exausta. Já estava no batente há 10 horas quando parei. Mais duas horas de orientação aqui, pedidos ali. Saí do trabalho às 19 h30. Já não encontraria meus filhos em casa. Hoje é dia de dormir no papai.
Ao chegar em casa, percebei que tinha duas possibilidades de sair.
Eu simplesmente cozinhei dois miojos (!), coloquei manteiga e shoyu. Assisti a um filme água com açúcar. Enrolei em frente à TV. Não tive forças para ligar de volta nem para dizer aos amigos que "hoje só amanhã".
Agora sinto aquela areia nos olhos que é um prenúncio de insônia. Aí resolvi escrever.
OLha, pípou, não tenho forças para mais uma empreitada. Sério. Se eu estiver fazendo drama, podem dizer. Mas fiquei pensando no ônibus enquanto eu voltava pra casa como seria bom ter um moço por perto. Para o afago no momento do cansaço. Para sexo com freqüência. Até para brigar. Balancei a cabeça como quem acorda de um devaneio. Acho que, para mim, dizer sim é apenas um devaneio neste momento.
Quando eu vou poder dizer sim?
Pode até ser TPM (tô mesmo nesse período perigoso do mês), mas a vontade é de sentar e chorar. Juro. Acordei às 5 h para fechar um material que precisava estar pronto às 7 h - por que às 7 h? Porque eu quis, porque não agüentava mais adiar essa entrega que estava na minha frente h;a duas semanas. Depois, de trabalhar entre 5 h e 10 h, fui para uma reunião. Falei, falei. Voltei, saí para o almoço. Outra reunião. Daí um compromisso de última hora - não era um compromisso meu exatamente, mas chamei para mim. Quando acabou, eu estava uma pilha. E exausta. Já estava no batente há 10 horas quando parei. Mais duas horas de orientação aqui, pedidos ali. Saí do trabalho às 19 h30. Já não encontraria meus filhos em casa. Hoje é dia de dormir no papai.
Ao chegar em casa, percebei que tinha duas possibilidades de sair.
Eu simplesmente cozinhei dois miojos (!), coloquei manteiga e shoyu. Assisti a um filme água com açúcar. Enrolei em frente à TV. Não tive forças para ligar de volta nem para dizer aos amigos que "hoje só amanhã".
Agora sinto aquela areia nos olhos que é um prenúncio de insônia. Aí resolvi escrever.
OLha, pípou, não tenho forças para mais uma empreitada. Sério. Se eu estiver fazendo drama, podem dizer. Mas fiquei pensando no ônibus enquanto eu voltava pra casa como seria bom ter um moço por perto. Para o afago no momento do cansaço. Para sexo com freqüência. Até para brigar. Balancei a cabeça como quem acorda de um devaneio. Acho que, para mim, dizer sim é apenas um devaneio neste momento.
domingo, 2 de novembro de 2008
Dia do homem
Aí eu estava em Angola, trabalhando igual uma desesperada, acompanhando o blog e pensando: "Preciso dar uma bronca em euaqui porque ela não está levando nosso projeto a sério." Onde já se viu, preguiça de ir no evento da escola de idiomas em pleno sábado à noite?
Mas agora é minha vez de fazer um mea culpa: fugi da raia quando um mocinho me chamou para sair em Luanda. Bom, mocinho não: devia ter seus 40 e tantos anos, mas tinha bom papo e era bem bonito (como a maioria dos angolanos, que eu acho mais bonita que a média dos africanos). Nos encontramos na entrada da pousada onde eu estava há uma semana, eu indo para o meu quarto, ele esperando um colega que estava hospedado lá. Não conversamos cinco minutos e ele me solta: "Queria te levar pra tomar uma cerveja hoje."
Minha primeira reação, como caxias e comprometida que sou com minhas obrigações, foi dizer: "OK. Vai jantar com seu amigo e depois a gente vai em algum lugar tomar uma cerveja."
Mas aí lembrei que era sexta-feira. E a situação fica um pouco mais complicada quando é sexta.
Explico: em Angola sexta-feira é o "dia do homem". Numa sociedade onde o machismo ainda corre solto, na sexta-feira os angolanos são liberados para fazer o que quiserem. Podem deixar a mulher/namorada em casa e sair pra farra - beber, paquerar, transar com quem quiserem. E a mulher não pode abrir a boca, porque é um direito que o companheiro tem. As angolanas nem questionam a falta de um "dia da mulher", mas fato é que na sexta-feira os homens podem tudo.
Aí meu raciocínio foi: sexta-feira à noite, esse cara não está a fim de só tomar cerveja. Por medida de segurança - não conheço ninguém em Luanda (portanto se eu sumisse ninguém ia dar falta), não tenho familiaridade com a cidade (portanto não sabia se o lugar para onde ele ia me levar era seguro ou não) - achei melhor passar. E minha resposta foi: "Nossa, estou super-cansada, amanhã acordo cedo porque ainda tenho que fazer malas. Fica pra próxima, que tal?"
Ele fez uma cara meio desolada, disse "Que pena, você devia ficar mais tempo em Luanda. Fica pra próxima" e ficamos por isso.
E essa foi a história do meu encontro que não aconteceu em Luanda.
Mas tem mais um detalhe que colaborou para o não-date - que eu me sinto até mal de contar aqui, mas existe limite pra tudo na vida.
Enquanto nos despedíamos, lembrei que não tínhamos nos apresentado.
"Desculpe, mas como é seu nome mesmo?"
"Cabrita."
"Como?"
"Cabrita. Bom, Lima, mas todo mundo me chama de Cabrita."
"Sério? Cabrita... Que coisa."
Sair com um cara chamado Cabrita em pleno dia do homem seria um exagero. Até comprometimento com o projeto tem limite.
Mas agora é minha vez de fazer um mea culpa: fugi da raia quando um mocinho me chamou para sair em Luanda. Bom, mocinho não: devia ter seus 40 e tantos anos, mas tinha bom papo e era bem bonito (como a maioria dos angolanos, que eu acho mais bonita que a média dos africanos). Nos encontramos na entrada da pousada onde eu estava há uma semana, eu indo para o meu quarto, ele esperando um colega que estava hospedado lá. Não conversamos cinco minutos e ele me solta: "Queria te levar pra tomar uma cerveja hoje."
Minha primeira reação, como caxias e comprometida que sou com minhas obrigações, foi dizer: "OK. Vai jantar com seu amigo e depois a gente vai em algum lugar tomar uma cerveja."
Mas aí lembrei que era sexta-feira. E a situação fica um pouco mais complicada quando é sexta.
Explico: em Angola sexta-feira é o "dia do homem". Numa sociedade onde o machismo ainda corre solto, na sexta-feira os angolanos são liberados para fazer o que quiserem. Podem deixar a mulher/namorada em casa e sair pra farra - beber, paquerar, transar com quem quiserem. E a mulher não pode abrir a boca, porque é um direito que o companheiro tem. As angolanas nem questionam a falta de um "dia da mulher", mas fato é que na sexta-feira os homens podem tudo.
Aí meu raciocínio foi: sexta-feira à noite, esse cara não está a fim de só tomar cerveja. Por medida de segurança - não conheço ninguém em Luanda (portanto se eu sumisse ninguém ia dar falta), não tenho familiaridade com a cidade (portanto não sabia se o lugar para onde ele ia me levar era seguro ou não) - achei melhor passar. E minha resposta foi: "Nossa, estou super-cansada, amanhã acordo cedo porque ainda tenho que fazer malas. Fica pra próxima, que tal?"
Ele fez uma cara meio desolada, disse "Que pena, você devia ficar mais tempo em Luanda. Fica pra próxima" e ficamos por isso.
E essa foi a história do meu encontro que não aconteceu em Luanda.
Mas tem mais um detalhe que colaborou para o não-date - que eu me sinto até mal de contar aqui, mas existe limite pra tudo na vida.
Enquanto nos despedíamos, lembrei que não tínhamos nos apresentado.
"Desculpe, mas como é seu nome mesmo?"
"Cabrita."
"Como?"
"Cabrita. Bom, Lima, mas todo mundo me chama de Cabrita."
"Sério? Cabrita... Que coisa."
Sair com um cara chamado Cabrita em pleno dia do homem seria um exagero. Até comprometimento com o projeto tem limite.
sábado, 25 de outubro de 2008
Os endereços deles
Enquanto continuo esperando, tô aqui navegando.(E você podem pensar: como ela quer arrumar alguém em casa, escrevendo num sábado de noite? Eu também estou me pondo a me perguntar...)
Bom, daí que dei um Google com a expressão "site relacionamento".
Olhem o que os endereços sugerem:
Conhecer você
Amores possíveis
Buscando você
Meu desejo
Romance ideal
Aí fui buscar algum texto, matéria... E caí numa reportagem da Marie Claire, que começa justamente comentando como os endereços são sugestivos. Dizaí: criatividade que é bom, nada, né?
Vou lá ler...
beijooooooooooooooooooooooooooooo
PS: a ilus sobre madeira eu peguei na internê, do blog de um moço chamado Gabriel Machado. Fofo, hein?
PS1: E os meus amigos acabam de me avisar que estarão aqui em 10 minutos. Just in time.
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